Quem criou a primeira história em quadrinhos? Como foi a história dessa forma de arte aqui no Brasil. As principais obras, os principais escritores e criadores. Saiba de tudo sobre a origem e a evolução das HQ nesse artigo especial.
Como tudo começou, a primeira HQ
A primeira história em quadrinhos com as características que conhecemos hoje foi publicada nos EUA em 1894 em uma revista chamada Truth. A autoria é do americano Richard Outcault. Meses mais tarde, o jornal New York World começou a publicá-la oficialmente.
Essa HQ intitulou-se “The Yellow Kid” e narrava as peripécias de uma criança que vivia nos guetos de Nova Iorque, sempre vestida com uma grande camisola amarela.

A personagem comunicava-se por gírias, numa linguagem bastante coloquial, e trazia reflexões sobre a sociedade de consumo e questões raciais e urbanas.
Embora essa seja considerada a primeira história em quadrinhos, é importante destacar que algumas manifestações artísticas que já existiam há tempos serviram como influência para a criação das HQs.
Como, por exemplo, as pinturas do século XIV nas igrejas católicas contando a via-sacra. Nelas é possível observar a trajetória do julgamento e crucificação de Jesus Cristo através de desenhos feitos de forma sequencial.
E no Brasil?
No Brasil, a primeira revista em quadrinhos chamou-se O Tico-Tico e foi publicada em 1905 pelo periódico O Malho.
Idealizada pelo artista Renato de Castro, foi influenciada pela HQ francesa La Semaine de Suzette e teve como personagem mais popular o garoto Chiquinho.

Mas foi apenas em 1960 que o público brasileiro teve um gibi inteiramente colorido, com a publicação de A Turma do Pererê, do cartunista Ziraldo. O gibi foi apresentado pela Editora O Cruzeiro e trazia personagens inspirados na cultura nacional.
Em 1964 o gibi foi retirado de circulação por conta da censura instaurada durante a ditadura militar e só voltou a ser publicado novamente em 1975.

Foi também na década de 60 que surgiu a história em quadrinhos mais conhecida do Brasil, a Turma da Mônica, criada pelo paulistano Maurício de Souza. A revistinha fez tanto sucesso que hoje é publicada em mais 40 países e traduzida em 14 idiomas.
A Turma da Mônica conta com personagens marcantes conhecidas no país inteiro. Além da própria Mônica, que sempre veste um vestido vermelho, tem sua amiga Magali que adora comer e sempre está de vestido amarelo, o Cebolinha, que está sempre de camiseta verde e sua marca registrada é trocar a letra r por l nas palavras e tem também o Cascão, que foge da água igual a vampiro que foge da cruz e sempre usa uma camiseta amarela.

As histórias em quadrinhos estão presentes em todo o mundo e existem várias personagens emblemáticas.
Uma delas é Mafalda, criação do cartunista argentino Quino no ano de 1964. Nessa tirinha, a garota de aproximadamente 6 anos de idade possui um pensamento reflexivo e questionador sobre a realidade mundial, sempre trazendo um ponto de vista humanista sobre as situações.
Mafalda é muito conhecida em toda a América Latina e na Europa e se tornou um símbolo argentino.

Outra HQ notável é Calvin and Hobbes (intitulada Calvin e Haroldo no Brasil). Criada em 1985 pelo americano Bill Watterson, as tirinhas foram exibidas em jornais até 1995.
Nela, o garoto Calvin vive as maiores aventuras e uma amizade profunda com o tigre Haroldo – que na realidade não passa de um bicho de pelúcia.

Outro personagem notável dos quadrinhos é o menino maluquinho, também criado pelo desenhista e cartunista Ziraldo, que se tornou um fenômeno durante os anos 80 e 90. Além do livro original, foram lançadas histórias que foram publicados pela Abril e Globo, de 1989 até 2007.
O livro original que inspirou a revista se tornou um sucesso, tendo vendido até dezembro de 2005 mais de dois milhões e meio de exemplares, sendo conhecido por inúmeras crianças, servindo de inspiração para peças teatrais, filmes, óperas e séries de TV.

E os super-heróis, onde ficam?
Muito do sucesso das histórias em quadrinhos se deve também aos super heróis, principalmente os heróis da Marvel e DC que já estão no mercado há muito tempo e tudo indica que continuarão por muito mais, devido o sucesso que fazem até hoje.
A DC veio antes da Marvel. A empresa que viria a se tornar a DC (o nome veio de sua primeira revista, Detective Comics) foi fundada em 1934, enquanto a primeira publicação da Marvel saiu em 1939, quando a editora ainda tinha o nome Timely Publications. Os primeiros heróis da DC foram o Superman, o Batman e Mulher Maravilha e da Marvel foram o Tocha Humana e Namor, o Príncipe Submarino.
A título de curiosidade: a primeira criação de Stan Lee na Marvel foi o Quarteto Fantástico, em parceria com o artista Jack Kirby.

A década de 40 marcou o surgimento de The Spirit, criada pelo mestre Will Eisner, considerado por muitos o melhor escritor de quadrinhos de todos os tempos. The Spirit conta a história do detetive mascarado, Denny Colt, um herói sem superpoderes que protege os habitantes da cidade fictícia de Central City. A série se destacou pela inovação dos enquadramentos quase cinematográficos, os efeitos de luz e sombra e as inovadoras técnicas narrativas, além da qualidade do roteiro e da arte. Sempre a presença de belas mulheres, cenas hilariantes, melodramáticas, mas que enfatizavam sobretudo o aspecto humano dos personagens.

As graphic novels – Romance Gráfico em português – são HQs que apresentam conteúdos voltados para o público adulto. Com histórias longas, densas e elaboradas como os romances, geralmente usam como suporte livros com edições caprichadas, papéis e impressões de alta qualidade.
Como exemplo importante dessa forma de arte temos a obra Maus, de Art Spiegelman, publicada em duas partes, em 1986 e em 1991.
Nesse romance, o autor narra as memórias de sua família pela perspectiva de seu pai, que com sua mãe, passou pelos horrores do holocausto na Alemanha nazista. Na história, os judeus são representados pela figura de ratos e os nazistas aparecem como gatos.
Em 1992, Maus ganhou o Prêmio Pulitzer de literatura, oferecido a obras jornalísticas. Foi a primeira vez que uma história em quadrinhos ganha esse tipo de reconhecimento.

Outro escritos de quadrinhos a ganhar um prêmio fora do círculo de premiação para quadrinhos foi Neil Gaiman, que ganhou um World Fantasy Award. Na premiação de 1991, a HQ Sandman, número 19 (“A Midsummer’s Night Dream”), ganhou o prêmio de Melhor Conto. Posteriormente, foi feita uma alteração nas regras, restringindo HQs à categoria de Prêmio Especial.
Por volta dessa época os leitores dos quadrinhos da Marvel e DC também estavam recebendo diversos quadrinhos com uma temática mais adulta, principalmente as escritas por Neil Gaiman, Alan Moore e Frank Miller. Foi uma época de desconstrução dos super heróis e seus efeitos duram até hoje.

Esse é um pequeno resumo das histórias em quadrinhos, que possuem um pouco mais de um século e tem obras magníficas que já entraram para o hall de grandes obras da humanidade. Ainda tem muita coisa sobre histórias em quadrinhos para se falar e esse pequeno resumo que fiz foi uma pequeno apanhado em algumas das histórias escritas no ocidente, mais especificamente nas américas. Além do citado aqui, tem muitas histórias boas na Europa, no oriente, na Ásia, que apesar de ser escrita de uma forma diferente, também possuem histórias magníficas e são muito venerados pelo mundo.
Espero que tenham gostado dessa viagem pelo mundo das histórias em quadrinhos e quem sabe eu faça uma parte 2 falando sobre a origem das histórias em quadrinhos em outros continentes.
Escrevam aí nos comentários o que acharam.

Achei uma matéria bem completa, com bastante informação, bastante coisa que eu não sabia, obrigado por compartilhar.
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